Amazônia - o grande desafio (XII)

*Manoel Soriano Neto

“Árdua é a missão de desenvolver e defender a
Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos
antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

Após estudarmos a problemática da imensa bacia potamográfica da Amazônia, quando assinalamos a importância para a biotecnologia brasileira, do estudo dos peixes fluviais e dos microorganismos aquáticos, também realizado por organizações internacionais que nos disputam, muitas vezes de forma fraudulenta, a primazia dos conhecimentos adquiridos, passaremos à análise de alguns aspectos da biodiversidade da região.

O bioma amazônico agrega a maior floresta tropical úmida do mundo. Em sua biodiversidade, além dos rios, em especial o maior e mais volumoso do universo - o Amazonas - e das águas subterrâneas do aquífero Alter do Chão (a Amazônia é chamada, entre outros designativos, de ‘O Império das Águas’, eis que detém 14% das reservas mundiais de água doce), lá se localizam o maior banco genético e a maior província mineralógica do planeta. Nesta, ocorrem, entre outras, abundantes jazidas de ouro, terras raras, cassiterita, diamante, prata e minérios estratégicos de terceira geração, como o titânio, o urânio, o nióbio, etc., nas serras mineralizadas, ao Norte da calha do ‘Rio-Mar’ (assunto que abordaremos posteriormente).

Ao contrário do que normalmente se pensa, o solo amazônico não é de planícies com selvas e rios: há áreas de considerável altitude, além de cerrados e campos, sob um clima quente e úmido. A região integra 1/3 das reservas mundiais de florestas latifoliadas – ou seja, de folhas largas – cortadas por incontáveis cursos de água (acumula 2/3 de nossas reservas hidrelétricas, - a ‘maior caixa d’água do País’ -, como já dito em artigos anteriores). A Amazônia Legal Brasileira, riquíssima em água doce e minérios, abriga, outrossim, 30% (!) de todas as espécies vivas, em sua diversidade biológica.

Dezenas de milhares de plantas foram catalogadas por cientistas - em particular botânicos brasileiros - mas a quantidade total está ainda bem longe de ser elencada. Todavia, uma primeira lista foi publicada, recentemente, pela revista “Pnas”, fruto de profícuo trabalho de cientistas nacionais e estrangeiros, dando conta da existência de 14.003 espécies, das quais 6.727 são árvores propriamente ditas.

Tais árvores ‘produzem chuvas’, pois formam nuvens que são transportadas pelos ventos alíseos: são os ‘rios voadores’, fenômeno que já explicamos, à saciedade, anteriormente. Os botânicos, de há muito, vêm tabulando os vegetais da Amazônia, por várias categorias.

Registre-se que o sueco Lineu (1707-1778) criouumsistema de identificação para cada ser vivo, com nomes duplos latinos: assim, a castanheira, árvore alta e bela, típica da região, é a “bertholletia excelsa” (por ilustrativo, diga-se que o Exército Brasileiro instituiu uma medalha para os que serviram na Amazônia; a passadeira é carregada com castanheiras estilizadas, conforme o tempo de serviço lá prestado). A mencionada e complexa tabulação inclui, igualmente, ervas, arbustos e epífitas - são plantas, como as orquídeas, que vivem em simbiose com espécies de maior
porte.

A propósito, ‘hileia’ é uma linda orquídea amazônica (‘hilé’ quer dizer floresta, em grego) e motivou o naturalista, geógrafo e explorador alemão Alexander Von Humboldt, a denominar toda a região, de “Hileia Amazônica”.

Muitas palmas para a efetivação no Ministério da Defesa, do general Silva e Luna! Tal ministério deveria ser confiado a militares! Já passou da hora de abjurarmos o vezo do ‘colonialismo ou satelitismo cultural’, de sempre macaquear tudo o No fim da pe- que vem do estrangeiro.

Viva o Brasil!!

* Coronel, Historiador Militar e Advogado Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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