A espada e a cruz

*Osmar José de Barros Ribeiro

O Conselho Indigenista Missionário, o CIMI, sonha, em consonância com a ação de uma miríade de
ONGs estrangeiras, com a criação de "nações" indígenas ao norte e ao sul da calha do
Solimões-Amazonas, casualmente localizadas em terras ricas em minérios os mais diversos.

 

Desde o Descobrimento, fato marcado pela 1ª Missa, a Espada e a Cruz caminharam juntas. Tal caminhada prosseguiu nas Entradas e nas Bandeiras que levaram, à custa de sangue, de sacrifícios e muito trabalho, nossas fronteiras terrestres para muito além do meridiano das Tordesilhas, sem esquecer que, com maior ou menor destaque, a Cruz esteve presente na construção dos Fortes os quais, ao longo do tempo, balizaram nossas fronteiras. 
 
É de lamentar o desconhecimento da História Pátria, por boa parte dos brasileiros. Não fora assim, a Amazônia Brasileira (quase 60% do nosso território) não seria tratada como assunto de pouco interesse da população. Saber íamos todos que, desde sempre, a área ao norte e ao sul da calha do Solimões-Amazonas sempre foi, por diferentes razões, objeto do interesse de outras nações.
 
Em 1902, o chanceler alemão, Barão Oswald Von Richthofen, dirigindo-se ao então ministro Barão do Rio Branco, afirmou que seria conveniente que o Brasil não privasse o mundo das riquezas naturais da Amazônia. Nos anos seguintes, outras manifestações no mesmo sentido, tais como: ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles mas de todos nós (Al Gore, então vice-presidente dos EUA); o Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia (François Mitterrand, então presidente da França); A Amazônia e as outras florestas tropicais do planeta deveriam ser consideradas bens públicos mundiais e submetidas à gestão coletiva, ou seja, à gestão da comunidade internacional (Mikhail Gorbachev, então presidente da URSS).
 
Em 1981, um documento oficial do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), cuja origem é a Igreja Anglicana e que reúne credos religiosos de diferentes denominações, consta que A Amazônia total, cuja maior área fica no Brasil mas compreende também parte dos territórios da Venezuela, Colômbia e Peru, é considerada por nós um patrimônio da humanidade. A posse dessa imensa área pelos países mencionados é meramente circunstancial.... É nosso dever: defender, prevenir, impedir, lutar, insistir, convencer, enfim esgotar todos os recursos que, devida ou indevidamente, possam redundar na defesa, na segurança, na preservação desse imenso território e dos seres que o habitam e que são patrimônio da humanidade e não dos países cujos territórios, pretensamente, dizem lhes pertencer.
 
Setores da Igreja Católica, reunidos na CNBB e ligados ao CMI por intermédio do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), assumem posições de esquerda, à exemplo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e de outras Pastorais. O CIMI sonha, em consonância com a ação de uma miríade de ONGs estrangeiras, com a criação de "nações" indígenas ao norte e ao sul da calha do Solimões-Amazonas, casualmente localizadas em terras ricas em minérios os mais diversos. 
 
E agora o Vaticano vem, com a realização do Sínodo sobre a Amazônia, em outubro do corrente ano, aliarse de forma inequívoca a todos aqueles que desejam subtrair-nos uma vasta e rica porção do território nacional ou, no dizer de Denis Lerrer Rosenfield, o Brasil não seria uma nação de indivíduos das mais diferentes crenças e etnias, mas sofreria uma subdivisão interna, formada por nações indígenas, que teriam completa autonomia sobre os seus territórios.
 
A sabedoria popular ensina que a pedra de amolar testa a qualidade do metal, afiando o de boa qualidade e desgastando o que não é tão bom.
 
A Espada, apesar dos pesares, continua afiada. E a Cruz?
 
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