A propósito de servir

*Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Circula na internet uma entrevista com o Gen. Fernando Sardenberg, Comandante da Brigada Pára - quedista, nomeado Comandante da Força de Pacificação nos Complexos do Alemão e da Penha. Se verdadeira, não podemos deixar de sentir um justificado orgulho, e uma esperança no cumprimento da missão, pois o insigne militar possui um invejável currículo, e comanda uma das mais festejadas e preparadas tropas do Exército Brasileiro, cartão de apresentação suficientemente alvissareiro para desejarmos ao nobre amigo os votos de pleno êxito na árdua missão.

General Sardenberg, esta parte da missão será extremamente desgastante; para o Comando, com o seu amplo leque de responsabilidades e expectativas, e até para os seus soldados, alguns, moradores de favelas que sofrerão todos os tipos de ameaças.

Mas, o experiente Comandante sabe muito bem das agruras e dos óbices de toda ordem que deverá enfrentar. E, breve, o esquecimento será um deles. No fragor inicial, as vivandeiras surgem aos borbotões, prometendo mundos e fundos. É sempre assim, sob as luzes dos holofotes, não faltam adesistas e canastrões. Os aliados e os apoios de primeiro momento emergem, mas no prosseguimento, pouco a pouco se escafedem, como é usual.

Gen. Sardenberg, por acreditarmos na sua capacidade de Liderança e Chefia, e no preparo de sua tropa, e nas qualificações de seus militares, Oficiais, Subtenentes, Sargentos, Cabos e Soldados pára-quedistas, torcemos pelo êxito da missão.

A altamente profissional tropa de elite está preparada, e tem os ingredientes para honrar o Exército Brasileiro, e levantar bem alto a merecida fama de tropa adestrada, e possuidora de determinação e coragem, epítetos que cobrem de justo orgulho os seus soldados.A missão deverá onerar a vida diária das Unidades Aero-terrestres, pois perdurará no tempo, com profundo desgaste para os executantes, inteiramente dedicados ao cumprimento da missão.

No futuro, para os moradores locais, ou parte deles, poderão ser tachados de incômodos. A estória não é nova, passados os louros sobram as agruras.

Mas o que fazer? Nada. Por isso, cumpra a sua missão com orgulho, com o desprendimento que dignifica o trabalho silente e desprendido do militar de escol. Embora, o seu sucesso vá encher a bola de uma politicagem cretina, restará sempre o orgulho de a sua Brigada ter trabalhado para o povo carioca, para a gente brasileira, para o Brasil.

Este momento nos arremete às palavras do saudoso General José Moretzsohn, que nos servem de ânimo, e que assim se expressou no seu belo texto ”A PROPÓSITO DE SERVIR”, incluso na Revista do Exército Brasileiro, de outubro/dezembro de 1990:

Sou militar porque, como tal, posso servir melhor a minha Pátria, à minha família e a mim próprio. Não sou movido pela ambição de acumular riquezas.

... Meu interesse primordial é que a segurança de meu País seja preservada e que meus filhos possam desfrutar o mesmo sistema de vida em que me criei.
...Sei que “os soldados não são sempre convocados para a glória, nem mesmo para a batalha. Não lhes cabe decidir. O fato ocorre ou não ocorre. Mas, os soldados são sempre chamados a Servir”.
Satisfaço - me, como milhares de outros, com empenhar o máximo de meus esforços e de minhas capacidades no cumprimento da missão recebida, seja ela qual for. Dessa maneira, dou minha parcela para o fortalecimento geral do país.
... Se, porém, ao final da jornada, nenhum feito excepcional estiver registrado em meus assentamentos, com não menor amargura embainharei a espada, convicto de haver servido com honra. E de não ter vivido sem razão.

Continuarei a afirmar “Gosto desta vida”, aos que me interrogarem, mas a mim próprio, darei resposta que signifique mais do que estas simples palavras”.

Afinal


“... alguém precisa ir à frente,
porque milhares não vão.
Alguém precisa ter raça,
porque milhares não tem!”


E viva a nobre profissão militar e seus abnegados integrantes.

 *General-de-Brigada

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