Amazônia - O grande desafio (XX)

*Manoel Soriano Neto

"Árdua é a missão de desenvolver e defender a
Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos
antepassados em conquistá-la e mantê-la."
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)



Nos últimos artigos, abordamos o escabroso megaprojeto "Corredor Andes-Amazônia-Atlântico" (conhecido por "Triplo A" e outras denominações), uma contínua e imensa faixa de terras amazônicas, abrangendo inúmeras "Unidades de Conservação" (UC) e "Terras Indígenas " (TI). Para gáudio de radicais ambientalistas/indigenistas, tal corredor formaria "a maior extensão de áreas protegidas do planeta". Urge lembrar que o governo brasileiro, em boa hora, abortou essas estapafúrdias intenções, atentatórias à Soberania Nacional, sendo certo que mais de 13% de nosso território são destinados a Terras Indígenas e mais de 12% são Unidades de Conservação " um percentual superior a um quarto da extensão territorial do País!

Comentaremos, a seguir, outra ameaça à soberania da Amazônia. Trata-se da realização,em outubro próximo, no Vaticano, do "Sínodo Pan-Amazônico", promovido pela Igreja Católica, cujos preparativos encontram-se em adiantado estado de execução, e que visa à discussão, em especial, acerca da "evangelização dos povos amazônicos".

O que é um "sínodo"? Segundo os léxicos, é uma "assembleia de párocos e de outros padres, convocada por ordem do seu prelado ou de outro superior", etc.O Conselho Mundial de Igrejas (CMI), atrelado à "Teologia da Libertação", vem atuando no Brasil desde a década de 1950 e foi responsável pela criação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e do Instituto Socioambiental (ISA), umbilicalmente ligados a ONGs nacionais e estrangeiras do ambientalismo e indigenismo. Em 1952, fundou-se a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujo primeiro secretário-geral foi Dom Helder Câmara (de 1952 a 1964).ACNBB, hoje, com 323 bispos, é a mais importante entidade da Igreja Católica. Ela, ressalvadas honrosas exceções, sempre foi integrante da denominada "esquerda clerical"; autoproclama-se de "progressista" e está comprometida com interesses indígenas, como o da demarcação de suas terras. Os seus principais organismos são o já mencionado Cimi, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a entidade Caritas.

Durante os governos militares, a Igreja - que ao ser deflagrada a Revolução de 1964, apoiava o ideário do Movimento -, afastou-se do  mesmo e grande parte dela passou a cerrar fileiras, abertamente, com as esquerdas. Vários bispos, padres e religiosos se mancomunaram com notórios subversivos, como o terrorista Carlos Marighella e participaram de manifestações de rua lideradas por estudantes e comunistas.

Nelson Rodrigues, com a sua ferina ironia, os tachava de "padres de passeata e freiras  de minissaia"... À época, bispos como dom Antônio de Castro Mayer, de Campos (RJ) edomGeraldo de Proença Sigaud, de Diamantina (MG), e intelectuais, como o Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, condenaram, vigorosamente, essa participa-ção de católicos junto a seguidores de uma ideologia materialista e ateia.

A CNBB elegeu, no início de maio, em Aparecida (SP), a sua diretoria para o período 2019-2023. Esta diretoria, cujo presidente é dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, secretariado por dom Joel Portella Amado (RJ), tida como moderada, não agradou à ala conservadora da Conferência. Destarte, persistirão as acerbas críticas contra o governo, por causa da "reforma da previdência", do "corte de verbas para a educação", da "ameaça a terras indígenas ", do "porte de armas" etc. Atualmente, alguns prelados esquerdófilos dizem-se bastante incomodados com o acompanhamento, pelos órgãos de inteligência, do Sínodo ora em comento.

* Coronel, Historiador Militar e Advogado Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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