Perdemos Roraima

*Osmar José de Barros Ribeiro

Em meio aos escândalos que invadem as páginas impressas e os noticiários televisivos, os mais antigos vão sendo esquecidos em favor dos mais modernos. Assim, salvo aquelas notas referentes à heróica e solitária posição de um arrozeiro gaúcho que, para sua infelicidade, mudou-se para Roraima em busca de melhores condições de vida; das 28 famílias que, faltas de recursos, aguardam auxílio federal para saírem da área (e sabe Deus para onde); da promessa de auxílio, por parte do MST, aos índios abrigados sob o guarda-chuva do Conselho Indigenista de Roraima (CIR), a virtual perda daquela vasta área deixou de frequentar as manchetes.

Já foi dito à exaustão que os índios (melhor seria que fossem conhecidos por caboclos), em sua maioria são alfabetizados, muitos possuem ou freqüentam cursos universitários, há os vereadores (o que implica em Título Eleitoral e em serem reconhecidos como cidadãos no pleno uso de suas prerrogativas), etc. Como considera-los dependentes da proteção governamental?

A que pressões e/ou ameaças o governo submeteu-se? Foram semelhantes às que, segundo corre a boca pequena (severas retaliações econômicas), levaram à criação da reserva Ianomâmi pelo governo Collor? Ninguém sabia das ações deletérias do Conselho Indigenista de Roraima (CIR)? Ninguém sabia do dinheiro despejado na área por ONGs internacionais, permitindo seguidas viagens de delegações indígenas à Europa e aos EUA? A ninguém causou estranheza a visita do príncipe herdeiro da Coroa Britânica às vésperas da decisão do STF? A ninguém causou espécie a irritação do presidente da República ao saber que a instalação da Reserva em área continua ficara dependendo de julgamento no STF?

Os Pelotões de Fronteira a serem instalados na área, sabe-se lá quando, desde o início contarão com a hostilidade dos caboclos industriados pelo CIR e que, já agora, iniciam a contestação das normas baixadas pelo STF no que respeita à cobrança de pedágio e ao livre trânsito de órgãos oficiais na área. Os prenúncios não são animadores! Pelo andar da carruagem, muito em breve o tráfico de armas e de drogas, a exploração mineral e o contrabando diverso, estarão funcionando no Território Livre da Raposa/Serra do Sol. Some-se a isso a presença de ONGs estrangeiras voltadas para o “aprimoramento cultural” dos índios e termos um belo problema para resolver.

Às autoridades governamentais, também não parece preocupar o conflito que já se desenha entre os índios, uns evangélicos e favoráveis à presença dos brancos, outros católicos, envenenados pelo CIR, CIMI, Pastoral da Terra e outras siglas ligadas à Teologia da Libertação.
Consoante foto publicada no jornal “Folha de Boa Vista”, quando das comemorações pela passagem do Dia do Índio (19 de abril), alguns indígenas portavam uma bandeira na qual, sobre um fundo verde, em lugar do losango amarelo e da esfera azul, via-se o contorno em amarelo da área demarcada para a TI Raposa/Serra do Sol.

Daí a pergunta: estará surgindo um novo país dentro das fronteiras brasileiras? Afinal, se tem um território do qual foram excluídos os que não pertencem à sua etnia, se estranhos nele são impedidos de entrar e portam a sua própria bandeira, o que estará sendo criado naquela área?

 

*Coronel Reformado
Maringá/PR
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