Conspiração Internacional

*Osmar José de Barros Ribeiro

Quando se fala ou se escreve sobre a ambição internacional em relação à Amazônia, há incredulidade por parte da maioria dos ouvintes e/ou dos leitores. No entanto, os mais atentos já se deram conta de que, a cada dia mais próxima e ameaçadora, a ameaça é real e representada pelas redes do Movimento Indigenista, inspiradas e organizadas por organizações estrangeiras, notadamente européias, no mais das vezes ligadas a governos os quais, de forma velada, guardam ambições quanto à região.


O Movimento Indigenista, argumentando que as terras cedidas ou ocupadas pelas diferentes tribos indígenas, já não pertencem aos Estados Nacionais que as concederam, dão o primeiro e indispensável passo para buscar, em conluio com poderes alienígenas, seu reconhecimento nos foros internacionais. O Gen Luiz Eduardo Rocha Paiva, argutamente, assinala no seu artigo Tróias Indígenas que... A Resolução da ONU autorizando a intervenção da OTAN no Kosovo tinha como ressalva manter a integridade terri-torial da Sérvia. Hoje, o Ko-sovo é independente.

A Coordenadora das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), que reúne entidades indígenas do Peru, Guiana, Bolívia, Brasil, Equador, Venezuela, Guiana Francesa, Suriname e Colômbia, por exemplo, postula o surgimento da Abya Yala, uma América utópica que extinguiria os atuais países, dando lugar a nações indígenas.

Um dos líderes da COICA é Sebastião Manchineri, brasileiro que, após iniciar seus estudos na cidade de Rio Branco/AC, trabalhou na União das Nações Indígenas (UNI), foi coordenador-geral da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) e depois ingressou no CAPOIBE (Conselho de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil), em Brasília. Por interferência do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), foi convidado pela ONU para estudar em Genebra/Suíça. De volta ao Brasil, assumiu a chefia do Serviço de Assistência da FUNAI. A seguir, algumas das suas idéias e das entidades que o apóiam:

- o espaço territorial é fundamental, indispensável para a nossa continuidade, sem ele não podemos exercer o que temos estabelecido, as formas tradicionais econômicas, sociais, culturais e políticas. Sem o espaço territorial, não temos condições de continuar, é um fator primordial para a nossa continuidade como povos;

- Temos um direito que nos permite viver em nosso espaço territorial. Porém, muito mais importante é a nossa afirmação sobre a propriedade territorial;

- Não tenho que ser reconhecido pelo Estado para ser índio. Pertencemos a povos que têm suas denominações, seus idiomas e suas espiritualidades. Temos o nosso sistema político, econômico e social. Não preciso do Estado para dizer que pertenço a um povo. Preciso apenas saber afirmar o que sou e ter o respaldo do povo ao qual pertenço. Alguns acham que queremos criar um Estado independente. Querendo ou não, já somos uma outra nação. Somos diferentes; se o governo não quer aceitar, não é problema nosso;

- Queremos a auto-afirmação e auto-suficiência em termos de conhecimento, não só para defender, mas para construir estratégias de resistência.

Não esqueçamos que a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas (já assinada pelo governo brasileiro) foi apresentada em Genebra, anos atrás, pelo já mencionado CMI, ONG surgida no Reino Unido, ligada à Igreja Anglicana e que defende a extinção dos Estados Nacionais. Decla-radamente hegemônico, permeado pelas idéias marxistas, fazendo praça de um ecumenismo que confunde outros ramos do cristianismo e por manejar recursos financeiros aparentemente inesgotáveis, o CMI logrou infiltrar-se profundamente na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e hoje influi decisivamente na maioria dos organismos da entidade.

Confirmando o ressaltado acima, é bom saber que das 25 organizações sediadas no Brasil e que assinaram a Declaração Final da 4ª Conferência Continental dos Povos Indígenas, em Puna/Peru, a esmagadora maioria possui ligações com a CNBB, outras com o CMI e, uma delas com o British Council Brasil.

Não nos iludamos: a indiferença da população e a conivência governamental permitem que a FUNAI, infiltrada por grupelhos esquerdistas e por agentes a soldo de ONGs estrangeiras, espalhe Terras Indígenas (TI), com áreas desproporcionais, por todo o Brasil.

Estamos, passivamente, assistindo à proliferação de enclaves territoriais imensos, tanto em países vizinhos quanto no Brasil. Muito em breve, os seus habitantes pleitearão a transformação das reservas em áreas autônomas. Será mais um passo para a criação de protetorados da ONU.
Então, adeus Soberania e Integridade Territorial.

*Coronel Reformado
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Mais por este Autor:
Artigos Relacionados: