A Semana da Pátria

*Aristóteles Drummond

Nesse dia, que é data nacional, devemos pensar no quanto a educação cívica e o conhecimento histórico mais elementar de nosso povo estão desleixados. Não temos a “Semana da Pátria”, instituída com notável inspiração no Governo Costa e Silva, muito menos a disciplina Educação Moral e Cívica, criada na gestão do presidente Médici. A anulação das duas iniciativas, como parte do chamado “entulho autoritário”, não foram atos felizes, mas, sim, mesquinhos ao extremo. O atual governo está, pelo menos, relançando, em outros moldes, o Projeto Rondon de tão boa lembrança.

Não se canta mais o Hino Nacional nas escolas e os jovens não aprendem os hinos da Independência e da Bandeira. Os grandes personagens da História, como José Bonifácio, Duque de Caxias e os imperadores Pedro I e Pedro II, já são figuras pouco conhecidas – quando não, mal referidas nos livros adotados na rede pública. Um absurdo que não se justifica, já que temos história, vultos a exaltar e um passado do qual nos orgulhar. Nossa historia foi a melhor possível e não temos culpas diferentes das demais nações civilizadas.

Bela iniciativa a da Liga de Defesa Nacional que relançou a corrida da tocha da liberdade, realizada por jovens estudantes ou veteranos militares – estes sempre atentos, em prontidão permanente em defesa do Brasil, em postura verdadeiramente comovente. A prova são esses centros cívicos e patrióticos que sobrevivem como é o caso do Liga de Defesa Nacional, entidade criada por Olavo Bilac, que teve como patrono José Bonifácio, e é dirigida por brasileiros notáveis e devotados.

Não se constrói progresso nem justiça social muito menos regime democrático sem que o povo esteja engajado no sentimento de respeito aos símbolos nacionais. E, claro, aos irmãos devotados ao serviço da Pátria, como é o caso dos militares – e não dos militantes, como alguns imaginam. O conhecimento dos hinos e dos grandes exemplos de serviços prestados ao país ao longo da História são fundamentais para a formação de um povo.

As escolas municipais estaduais e federais, geralmente, levam nomes de figuras públicas e históricas. O natural é que seja obrigatório o conhecimento do patrono destas escolas, de sua biografia e de suas vidas ao serviço do país ou das comunidades. Alguns até estrangeiros, que, de uma maneira ou de outra, serviram à humanidade ou a seus países, como são os casos de Martin Luther King, Agostinho Neto e John Kennedy. E isso para ficarmos apenas em exemplos mais conhecidos e comuns.

Hoje, “cria-se” heróis nacionais, desde um misterioso líder de quilombo – que alguns historiadores garantem que nem o português falava, vendido como escravo pelo próprio irmão – a figuras que pregaram o ódio e a divisão entre brasileiros. O que é sério, consolidado pelos grandes estudiosos, acaba alvo do deboche e do pouco caso, como nos anos de prestígio e progresso com dignidade do segundo Império. A pátria é secundária para os que mantêm, no fundo da alma, o ideal “da internacional socialista e comunista”, do “mundo sem fronteiras”, veneno do qual não conseguem se ver livres.

Temos de reagir, como sociedade democrática, contra o esvaziamento dos valores de nosso passado, dos símbolos da nacionalidade . Devemos lutar pela volta da obrigatoriedade do Hino Nacional na abertura do horário escolar, pois a prática é antiga. Não vem de 64, como incautos imaginam, neste revanchismo marcado pela ignorância e pela burrice. O que aconteceu foi que, a partir daquele ano, o país passou a ser governado por um grupo de brasileiros, não apenas militares, formados no culto aos valores da pátria.

Olavo Bilac, patriota de visão, criou a Liga da Defesa Nacional justamente para isso, para a defesa dos valores permanentes da nacionalidade, para o culto e respeito aos símbolos e à História. Tais referências nos fizeram, no passado, mais respeitados, embora menos poderosos em termos econômicos. Não podemos deixar cair os sonhos dos que desejam um Brasil democrático, uno, grande, com segurança e desenvolvimento, sem divisões, sem ódios e sem subordinações. Sempre fomos grandes na América Latina, como economia e como força militar. Sempre fomos respeitados pela formação de nossa sociedade, multiracial, basicamente cristã, mas de livre culto. Não devemos alterar este quadro com justificativas ideologicamente ultrapassadas e com argumentos de “solidariedade” a vizinhos que sempre tivemos como amigos, sem a renúncia de nossos interesses e de nossa soberania.

Publicado no Hoje em Dia/BH
em 07 de setembro

* Jornalista
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