Ecos da visita do Papa Bento XVI

Jornal "O Tempo"

A visita pastoral de Bento XVI ao Brasil teve uma ampla cobertura nos meios de comunicação social e as principais manchetes focalizaram, de um modo geral, com pertinência, os ensinamentos do sucessor de Pedro.

No entanto, quem leu com atenção os comentários de certos articulistas, inclusive de alguns religiosos, deve ter percebido laivos de uma análise deturpada quer das atitudes, quer da fala do Sumo Pontífice.

Houve até certo teólogo que quis intrigar Bento XVI com o Espírito Santo, dizendo que, na linha de Santo Agostinho o qual escreveu sobre a Cidade de Deus e a Cidade dos Homens, o Papa não tem uma visão lúcida da atuação da Terceira Pessoa da Trindade na História.

O que se esquece é que Cristo foi bem claro ao falar do Reino de Deus e do Mundo que, tocado pelo Maligno se opõe aos planos divinos. Ele narrou a parábola muito significativa do joio e do trigo.

Acrescente-se que o Papa escreveu uma encíclica sobre o amor de Deus e o Espírito Santo é exatamente o amor eterno que procede do Pai e do Filho.

Adite-se que há um equívoco de base da parte de certos formadores de opinião~ no que tange aos princípios éticos que o Papa reafirmou bem dentro do que está prescrito no Decálogo, dado pelo Ser Supremo a Moisés e lembrado por Cristo.

O aborto, crime nefando, vai contra o quinto mandamento, bem como a atitude iníqua dos traficantes de drogas.

Os desvios sexuais agridem o sexto mandamento. A indissolubilidade do matrimônio foi proclamado por Jesus: "O que Deus uniu o homem não separe".

As disparidades e injustiças sociais batem de frente como preceito maior do amor ao próximo.

Apontou , outrossim, ou rumos seguros para a Igreja no Brasil, orientando o episcopado e todo o clero.

Tudo que Bento XVI falou só tem valor, porém, para quem tem fé. Filósofo profundo, teólogo de vastíssima cultura, ele mostrou que o cristão age e pensa segundo a primeira virtude teologal não de acordo com as ideologias reinantes em cada contexto social.

Bento XVI plantou. Agora cabe aos líderes religiosos, aos políticos cultos, aos homens de boa vontade e bem intencionados regar as sementes para que frutifiquem a bem da pátria e dos seus cidadãos.

O discurso de Bento XVI não foi pessimista, mas realista com colocações brilhantes na ótica do Evangelho, num linguajar claro, correto e firme, fazendo inveja a muitos que atropelam a "ultima flor do Lácio".

Quem esperava um líder afastado do povo se admirou da maneira fidalga com que se dirigiu aos fiéis aglomerados nas ruas e praças, diante do mosteiro beneditino em São Paulo, no encontro com os jovens no Pacaembu, na visita à fazenda Esperança, enfim, por onde passou. A canonização do primeiro santo brasileiro foi uma homenagem á Terra de Santa Cruz, mas também um apelo formidável para uma existência pautada no amor a Deus e ao próximo, lançando cada um os olhares para os páramos da virtude, se afastando do lodaçal dos vícios, da violência, das maldades humanas.

Que belas palavras na sua despedida: "Brasil é terra abençoada", o que, aliás, está bem caracterizado no Cristo Redentor, garantindo sempre uma pátria que há de trilhar continuamente os caminhos do progresso, da paz, da prosperidade.

Em síntese, Bento XVI se mostrou o grande Pastor sempre a velar pelas ovelhas de Cristo com uma solicitude sem par. Para continuar, porém, com sua sublime missão ele conta sempre com as preces de todos os cristãos.

Publicado no "O Tempo" - 17/05

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