O perigo que ameaça o Brasil

*Osmar José de Barros Ribeiro

O Movimento Indigenista, alimentado por organizações estrangeiras, notadamente européias e muitas delas ligadas, direta ou indiretamente aos respectivos governos, vem crescendo de forma contínua na América do Sul, em especial nos países andinos e no Brasil, com destaque para a Amazônia, e, mais recentemente, oeste de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Estados do Nordeste.

Convém não esquecer: a Declaração Universal dos Direitos Indígenas (há pouco assinada pelo governo brasileiro) foi apresentada em Genebra, anos atrás, pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), ONG supostamente religiosa surgida no Reino Unido e que defende a extinção dos Estados Nacionais.

Na Bolívia, no Equador e no Peru, países nos quais a presença indígena é majoritária, algumas das suas lideranças mais conhecidas e expressivas são:

- Evo Morales, eleito presidente da Bolívia em 2005, é líder inconteste do Movimento ao Socialismo (MAS), de teor indigenista, mas pautado pela lógica comunista, além de dócil instrumento nas mãos de Chávez e Fidel Castro. Com forte bancada no Congresso, tomou uma série de medidas, entre as quais a mais notória foi a nacionalização das instalações de companhias estrangeiras voltadas para a exploração do gás e do petróleo bolivianos. Não obstante, os problemas de pobreza, insatisfação social e produção ilegal de cocaína continuaram e a estratégia adotada pelo presidente só fez exacerbar as tensões raciais e econômicas entre os índios do altiplano e as comunidades das terras baixas a leste.

- Felipe Quispe, secretário-executivo da Confederação Sindical Única dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB), é líder aimará e ex-guerrilheiro. Em 2002, ficou em segundo lugar nas eleições municipais de La Paz. Lidera o Movimento Indígena Pachacuti (MIP), sendo ex-membro do Exército Guerrilheiro Tupac Catari. Defende a “teoria do cerco” - cercar a elite por dentro (no Congresso) e por fora (com as mobilizações). Um seu aliado, no Brasil, é Sebastião Manchineri, muito ligado à Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA) a qual pretende representar 400 tribos dispersas nos territórios da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.

No Equador, a eleição do esquerdista Rafael Correa para a presidência, sua estreita ligação com Hugo Chávez e o paralelismo entre suas ações e as de Evo Morales, ambos claramente inspirados pelo venezuelano, trouxe um novo motivo de inquietação ao subcontinente. E o Brasil logo sentiu o problema: expulsão da Construtora Odebrecht e a recusa de iniciar o pagamento de vultosa dívida ao BNDES. Humberto Cholango, presidente da Confederação dos Povos de Nacionalidade Quíchua do Equador, freqüentemente ameaça com uma rebelião indígena (35% da população) caso não sejam atendidas as pretensões de Rafael Correa. A ameaça torna-se ainda mais perigosa quando consideramos que os indígenas equatorianos participaram ativamente da deposição dos presidentes Abdala Bucaram (1977) e Jamil Mahuad (2000).

Nos países andinos, o discurso dos líderes locais é abertamente racista e defende a reconstituição do Império Inca. Trata-se de um nacionalismo aimará radical, cujo objetivo é a criação de áreas nas quais as comunidades camponesas pratiquem um socialismo baseado em trocas e não no mercado e onde elas se autogovernem, elegendo suas próprias autoridades.

Isto posto, estamos a caminho de assistir à proliferação de verdadeiros enclaves independentes em países da América do Sul em geral e no Brasil em particular, aqui pela transformação das atuais Reservas Indígenas em áreas autônomas.

A estreita ligação entre Chávez e o regime cubano, aliada à sua ascendência sobre Evo Morales e Rafael Correa, permite supor que o Foro de São Paulo está bem adiantado em sua pretensão de recriar, em terras latinas, o que foi perdido no Leste Europeu.

No Brasil, onde o atual presidente nutre uma singular admiração por Fidel Castro, seu comparsa e inspirador na criação do Foro de São Paulo, bem como a indiferença do grosso da população em relação ao assunto, vem permitindo que a FUNAI e o INCRA espalhem Terras Indígenas (TI) e assentamentos quilombolas, por todo o Brasil.

Corremos o risco de nos tornarmos vítimas de intervenções internacionais em defesa dos “direitos das nações indígenas”. E tal ameaça torna-se ainda maior se considerarmos que está sendo formada uma aliança de “povos e nações indígenas” na região central da América do Sul, abrangendo inclusive a Amazônia, conforme deixa claro a recente criação da Rede Jurídica para a Defesa dos Direitos dos Povos da Amazônia, forma mais simples encontrada para reunir, em um único órgão, as reivindicações indígenas fartamente alimentadas pelas ONGs.

Coronel Reformado
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