A Oligarquia Mundial Contra Honduras

*A. C. Portinari Greggio

O que acontece em Honduras?

Se quiser saber o que aconteceu, leia o artigo de Graça Salgueiro (www. midiasemmascara.org), Não houve golpe em Honduras. Segundo ela, soldados do Exército, cumprindo mandato da Corte Suprema de Justiça de Honduras, “invadiram às 5 h. da manhã o palácio presidencial, tiraram de lá o presidente Manuel Zelaya e o despacharam para a Costa Rica. Este gesto heróico e histórico visava a evitar que se realizasse um referendo, convocado ilegalmente por Zelaya para a criação de uma Assembléia Constituinte, cuja meta era anular a Constituição de 1982 e em seu lugar criar uma nova que permitisse a reeleição presidencial indefinidamente”.

Zelaya foi eleito legalmente mas, no poder, tentou imitar a fórmula já consagrada na Venezuela, na Bolívia e no Equador – um plebiscito de cartas marcadas, com o voto garantido da maioria de idiotas ressentidos, concedendo-lhe mandatos sucessivos e poderes ditatoriais. Com isso, Zelaya infringiu dois artigos da Constituição de Honduras. O artigo 4 considera reeleição ou continuísmo como crime de traição à pátria. O artigo 42, inciso 5, pune com perda da cidadania hondurenha quem “incitar, promover ou apoiar o continuísmo ou a reeleição do Presidente da República”.

Tendo sua pretensão rejeitada pelos poderes Judiciário e Legislativo, Zelaya resolveu realizar o plebiscito à força. Seu sócio Chávez, da Venezuela, forneceu-lhe o dinheiro e as urnas. Ao ordenar que as Forças Armadas as distribuíssem pelos postos eleitorais, estas se recusaram a cumprir a ordem ilegal, ou seja, recusaram-se a apoiar o golpe de Estado. E sendo Zelaya réu de dois crimes que o incompatibilizam com o cargo, sua continuação como chefe do poder executivo, em conflito frontal contra o legislativo e o judiciário, equivaleria a declaração de guerra civil. Detido pelos militares, assinou um pedido de renúncia. Despachado para o exílio – saída caridosa, pois poderia ter sido preso e processado – assim que chegou à Costa Rica, renegou sua renúncia, afirmando que fora obrigado a assiná-la.

A “comunidade internacional” imediatamente se solidarizou com Zelaya e condenou o “golpe de Estado”. Bem, já vimos que não é golpe. E o que é essa “comunidade internacional”? É a ONU, a OEA, o Chávez, o Inácio, o Fidel, o Evo, o Ortega, o Obama, os caras da Comunidade Européia, etc., juntamente com cinco ou seis grupos que controlam a mídia internacional. “Comunidade internacional” é outro nome para a oligarquia apátrida e decadente que domina a Europa e os Estados Unidos.

Honduras sofre pressões insuportáveis, e é provável que não tenha forças para resistir. A “comunidade internacional” exige a volta de Zelaya. E como a “comunidade internacional” não ignora que Zelaya preparava um golpe “boli-variano” só se pode concluir que ela quer que ele o complete. Não é paradoxal? Se Chávez, Fidel e Ortega são inimigos do Ocidente, como é possível que os Estados Unidos e a União Européia apóiem Zelaya? Será que ignoram as suas intenções? Será que desejam mais uma ditadura neo-comunista na América Latina? Serão idiotas, masoquistas, ou haverá algum jogo secreto que nenhum de nós enxerga?

A coisa se torna mais clara quando consideramos a origem dos indivíduos que compõem a oligarquia internacional. Todos saíram das grandes universidades e pertencem às gerações formadas de 1970 em diante. Ideologicamente, equivalem aos fefeleches brasileiros – as turmas de intelectuais militantes geradas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, a FFLCH, bem assim os seus confrades das PUCs, da UNB, da UNICAMP e outras. Todos são impregnados pelo pós-modernismo, globalistas e cosmopolitas, partidários de um governo mundial. E unanimemente detestam as Forças Armadas. Por quê? Porque elas são a antítese do que eles querem e pensam. Possuindo os seus próprios centros de formação, são imunes aos modismos pseudo-filosóficos inculcados nas universidades. Por isso, e por serem armadas, constituem o maior obstáculo aos projetos dos fefeleches.

No caso de Honduras, a escolha é entre um espiroqueta bolivariano e um governo legítimo, respaldado na intervenção militar. São duas opções ruins para a oligarquia, mas a menos perigosa é a do bolivariano. Aceitar que os militares reassumam a sua missão de protetores das respectivas nações é perigoso. Não foi à toa que Obama declarou: “Seria terrível precedente, se retrocedêssemos à era em que golpes militares eram vistos como meios normais de transição política, em vez de eleições democráticas.” Não foi golpe; mas foi intervenção militar, e isso basta para Obama.

Ao lado dos “direitos humanos”, as “eleições democráticas” são o grande tabu da oligarquia. Não importa que sancionem toscas tiranias como as de Chávez, ou tribalismos parasitários como o de Evo Morales, ou esquemas de corrupção como os de Kirchner e Inácio.

Creio que está na hora de examinar o conceito de “democracia” defendido por essa gente. O leitor ficará surpreendido ao verificar que o tabu da “democracia”, que pensam ser oriundo da Grécia clássica, na verdade é uma enganação inventada no século 19, junto com a ideologia comunista. Vamos tratar desse assunto nos próximos números do Inconfidência.

*Economista, ex-aluno da
Escola Preparatória de Cadetes de São Paulo

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